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Património arqueológico

Chaves

Nos arredores de Chaves encontram-se numerosas amostras de arte rupestre pré-histórica, como os petróglifos do Castelo de Mau Vizinho em Cimo de Vila da Castanheira, de Outeiro Machado em Valdanta, de Sanjurge, de Mairos e outros. Da época castreja destacam-se os castros de Curalha, Bustelo, Loivos, Mairos, Nogueira e Oura. Da época romana existem vestígios de calçadas e pontes, como as de São Lourenço e Arcossó, ou barragens de água como a de Abobeleira. Na vila de Granjinha foram descobertos numerosos materiais e uma ara votiva, atualmente depositados no Museu da Região Flaviense.
Castro da Curalha

Termas Romanas de Chaves

A existência em Chaves de nascentes de água termal foi a principal razão para que os romanos estabelecessem aqui um importante ponto de paragem da via Braga – Astorga, o qual posteriormente evoluiu para uma cidade de pleno direito a que deram o alusivo nome de Aquae Flaviae. Como os romanos atribuíam as propriedades curativas da água à intervenção dos deuses, este tipo de balneários eram também santuários aos quais acudiam gentes de diversas proveniências para se curarem e prestarem culto às divindades associadas, normalmente as Ninfas, como era o caso de Chaves, atestado por evidências epigráficas, ou, noutros casos, a Minerva, Esculápio ou Salus. O balneário termal romano de Chaves, descoberto em 2006, está situado no Largo do Arrabalde. As escavações arqueológicas terminaram em Outubro de 2008 e os vestígios são actualmente alvo de um projecto de musealização. Trata-se de um grande complexo termal, abrangendo a totalidade da área central da praça e encontra-se em muito bom estado de conservação. O complexo balnear era constituído por uma grande piscina central, alimentada por duas nascentes termais e uma segunda piscina que se encontra ainda parcialmente oculta, em torno das quais se organizavam salas dedicadas aos diversos tratamentos de que nos falam os autores clássicos: banhos de imersão individuais, banhos por aspersão de água, tratamentos de vapor e massagens. Este era também um espaço dedicado ao convívio e ao lazer, como prova a descoberta de uma raríssima torre de jogo e os respectivos dados, encontrados nas escavações arqueológicas. O edifício foi utilizado até finais do séc. IV d.C., altura em que uma derrocada da abóbada de cobertura sepultou as pessoas que utilizavam a piscina. Após a derrocada, as sucessivas cheias do Tâmega encarregaram-se de cobrir os vestígios com sucessivas camadas de areia e limos, apagando a memória da existência do importante edifício público romano. A partir da Idade Média existia no local um bairro peri-urbano com hortas (daí o nome de arrabalde) e no séc. XVI sabemos que eram já utilizadas as nascentes actuais, junto à ribeira de Rivelas, no Tabulado.
Termas Romanas de Chaves

Verín

Pela sua antiga fisionomia lacustre, o vale não é pródigo em jazidas muito antigas, destacando-se a descoberta do povoado da Idade do Bronze de Ábedes. Do período megalítico destacam-se os petróglifos ou esculturas rupestres de Ábedes (Fraga dos Lobos, San Antón e Reimóndez), de Feces de Abaixo e do Penedo da Moura em Tamaguelos. Da época castreja-galaica conservam-se os topónimos Tamagos e Tamaguelos, localizando-se ainda no perímetro de Verín os castros de O Circo e A Moreiroá em Mandín, o da Cruz em Tamaguelos e o da Baixada dos Mouros em Cabreiroá. Além de numerosos antropónimos (Verín, Mandín, Ábedes, Cabreiroá, Mourazos e Queizás), a romanização trouxe consigo restos de construções como as villae de Ábedes, Mourazos, Cabreiroá e Verín, onde se localizam também os restos de uns estabelecimentos comerciais da época. Entre as descobertas destacam-se os moinhos manuais, os tijolos, tégulas e ímbrices e as colunas, bases e fustes. Entre todos estes elementos destaca-se a aparição de um grupo escultórico representando o deus Dionísio e o sátiro Ampelos, encontrado em Mourazos e que atualmente se conserva no Museu Arqueológico de Ourense. As descobertas de moedas correspondem à época do imperador Augusto, encontrando-se ainda várias estelas funerárias e aras, como a da igreja da Misericordia em Verín, a da igreja de Queizás e a da reitoria de Vilamaior. Pontes como a de Feces de Abaixo e diversos marcos miliários proporcionaram-nos dados sobre as vias romanas do vale. Os marcos miliários de Tamaguelos, Tamagos, Quinta do Peru e o do moinho de Vilela pertenciam ao antigo traçado Aquae Flaviae – Salientibus. Outros miliários descobertos em Oimbra indicam o traçado de outra via,  paralela ao Tâmega. Os marcos miliários de San Lázaro e de Pazos, da época do imperador Claudio II, pertenciam à via Bragança – Tamacani – Límice.
Dionysos y Ampelos

Fonte: Museu Arqueológico Provincial de Ourense

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